Dos dados às decisões: como a ALTEN molda o futuro da fabricação
O setor da fabricação está a passar por uma mudança sísmica. Deixando de se limitar à recolha passiva de dados, as fábricas estão a evoluir para ecossistemas autónomos, impulsionados por IA, capazes de tomar decisões em tempo real.

No entanto, como destaca Elia Brunelli, Technical Solution Manager na ALTEN Itália, o verdadeiro desafio não reside apenas na tecnologia, mas na capacidade de estreitar a lacuna entre a inovação e a sua implementação prática em fábrica.
“A tecnologia capacita. A usabilidade gera resultados.”
Este artigo analisa de que forma a ALTEN aborda os principais obstáculos, como infraestruturas herdadas, qualidade dos dados e lacunas de competências para transformar provas de conceito em soluções escaláveis e centradas nas pessoas.
Qual é a maior mudança de paradigma na fabricação atualmente?
A transformação mais significativa é a transição da monitorização reativa para a tomada de decisões autónoma e impulsionada por IA.
As fábricas já não recolhem apenas dados; agora implementam sistemas que detetam anomalias, corrigem processos e registam intervenções. Isto não é uma simples evolução tecnológica, mas uma reformulação fundamental da forma como as linhas de produção operam.
Por exemplo, a manutenção preditiva já foi considerada o objetivo final. Hoje, é apenas o ponto de partida. O verdadeiro avanço consiste na criação de sistemas que não só antecipam falhas, como também as resolvem de forma autónoma, transformando dados em clareza operacional para as equipas no terreno.
Por que razão tantas indústrias têm dificuldade em escalar estas inovações?
Persistem três bloqueios críticos: infraestruturas herdadas, qualidade dos dados e experiência humana.
Em primeiro lugar, as infraestruturas herdadas (legacy): muitas fábricas continuam a depender de PLCs com mais de 20 anos, que não foram concebidos para integração com a cloud. A modernização destes sistemas é dispendiosa, complexa e pode implicar interrupções operacionais.
Em segundo lugar, a qualidade dos dados: a eficácia da IA depende diretamente da qualidade dos dados. A maioria das unidades industriais dispõe de dados de sensores parciais, inconsistentes ou mal etiquetados, dificultando a adoção eficaz da IA.
Por último, as pessoas: implementar um modelo é relativamente simples; capacitar as equipas técnicas para o utilizar eficazmente é muito mais desafiante. Atualmente, 60% do potencial tecnológico da fabricação continua por aproveitar, porque a complexidade das soluções ultrapassa frequentemente as competências das equipas operacionais.
Na ALTEN, o foco está em desenhar soluções para o utilizador final e não apenas para as equipas de engenharia que as desenvolvem
Como é que a ALTEN aborda estes desafios?
A abordagem da ALTEN assenta no design centrado nas pessoas.
Por exemplo, em projetos de orquestração de cobots (robots colaborativos), desenvolvemos linhas de montagem conectadas onde os operadores conseguem monitorizar e configurar sistemas sem necessidade de compreender a IA subjacente. Da mesma forma, as nossas soluções de deteção de anomalias baseadas em IoT processam sinais de máquinas em tempo real, convertendo dados complexos em informações simples e acionáveis para a tomada de decisões. A mudança não consiste apenas em passar da manutenção reativa para a preditiva, mas também em passar da complexidade para a clareza operacional
Que tecnologias estão a impulsionar estes avanços?
A chave está na convergência entre edge computing, gémeos digitais e modelos de linguagem de grande dimensão (LLMs). O edge computing tornou-se mais acessível, os gémeos digitais atingiram um elevado grau de maturidade e os LLMs estão a reduzir a distância entre os sistemas operacionais e os operadores. Nenhuma destas tecnologias é propriamente nova, mas a sua maturidade simultânea está a criar oportunidades transformadoras. Um exemplo é a nossa Mini Plant 4.0, que combina uma linha de montagem de drones com um gémeo digital, permitindo às empresas simular e otimizar processos antes da implementação real. Isto não é apenas inovação; é uma transformação prática, mensurável e escalável.
Que competências irão definir o futuro da fabricação?
As competências técnicas e o conhecimento especializado continuarão a ser fundamentais. No entanto, as competências transversais (soft skills), como criatividade, colaboração e resiliência, serão os verdadeiros fatores diferenciadores. Em ambientes híbridos, onde coexistem pessoas e sistemas autónomos, estas competências permitem adaptação, inovação e liderança. Na ALTEN, existe um compromisso claro com o desenvolvimento contínuo das equipas, garantindo que a tecnologia esteja sempre ao serviço das pessoas

Perfil do especialista

Elia Brunelli
Technical Solution Manager , ALTEN Italy
Elia Brunelli lidera a transformação da fabricação através de soluções impulsionadas por IA e centradas nas pessoas.
Especialista em Indústria 5.0, aborda desafios como sistemas herdados e lacunas de competências, garantindo que a tecnologia seja simultaneamente inovadora e prática.
Os seus projetos, incluindo a Mini Plant 4.0, demonstram como cobots, IoT e gémeos digitais podem revolucionar a produção, ao mesmo tempo que capacitam os operadores.
Elia defende a formação contínua e a colaboração como pilares para tornar a fabricação avançada mais acessível e eficaz.
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